19/03/2017

Podem ver aqui: O relatório que Guterres e Israel querem censurar

O relatório publicado na quarta-feira, 15, pela Comissão Económica e Social das Nações Unidas para a Ásia Ocidental (Escwa, na sigla inglesa), com sede na capital libanesa, concluía, sem qualquer sombra de dúvida, que Israel é culpado da prática do crime de apartheid contra o povo palestiniano, «tal como legalmente definido nos instrumentos de Direito internacional», refere, numa nota, o Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM).

«Sublinhando o carácter intencional das políticas de Israel para manter a dominação judaica em Israel e nos territórios palestinos ocupados», o relatório dá especial ênfase às políticas discriminatórias de Israel no que respeita à terra, bem como a políticas de «engenharia demográfica».

Pressões e submissões
 
Logo na quarta-feira, os Estados Unidos da América, principal aliado de Israel, fizeram notar a sua repulsa face à publicação do relatório. Por seu lado, o secretário-geral da ONU, António Guterres, fez saber, através de um porta-voz, que o relatório fora publicado sem consultar o secretariado do organismo e que «não reflecte as opiniões do secretário-geral».

Na quinta-feira, a embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, manteve a pressão, afirmando que «o secretariado (…) deve ir mais longe e retirar inteiramente o relatório». Guterres pediu que o relatório fosse retirado do portal da Escwa; e tal veio a concretizar-se esta sexta-feira.
Na conferência de imprensa que ontem deu em Beirute, a diplomata jordana Rima Khalaf confirmou que foi pressionada por António Guterres para retirar o relatório que aponta e define o apartheid imposto pelos sionistas sobre o povo palestiniano.

«Era de esperar que Israel e os seus aliados exercessem grandes pressões sobre o secretário-geral das Nações Unidas», disse Khalaf, que se manteve firme na defesa do relatório apresentado.

Orgulhosa, classificou-o como o «primeiro do seu género», divulgado por uma agência da ONU, a chamar a atenção para «os crimes que Israel continua a cometer contra o povo palestino, que equivalem a crimes de guerra contra a humanidade»

fonte do texto www.abrilabril.pt

podem encontrar o relatório na íntegra se clicarem neste link



24/01/2017

Crianças do Bangladesh trabalham 64 h/semana para fazer a nossa roupa barata

Um relatório do OverSeas Development Institute (ODI) revelou que existe um número preocupante de crianças com idades inferiores a 14 anos, no Bangladesh, que abandonaram a escola e têm empregos a tempo inteiro. Em média, estas crianças trabalham 64 horas por semana.

 
Shakhil Khan tem 10 anos e trabalha numa fábrica têxtil
Os investigadores estudaram quase 3000 agregados familiares desprivilegiados dos bairros degradados de Dhaka, no Bangladesh, e descobriram crianças de apenas 6 anos com empregos a tempo inteiro. Outras chegavam a trabalhar 110 horas por semana. Estas crianças recebiam, em média, pelo seu trabalho, menos de 2€ por dia.

“A prevalência do trabalho infantil no Bangladesh é preocupante”, declarou Maria Quattri, uma das autoras do estudo. 

De acordo com o que descobriu, dois terços das raparigas com empregos trabalham na indústria do vestuário, o que levanta sérias questões sobre a roupa exportada e o trabalho infantil

Os rapazes têm ofícios mais variados: alguns trabalham nas obras e no fabrico de tijolos e outros em lojas ou vendem produtos na rua. 13% deles trabalham também em fábricas têxteis ou em outras partes do sector têxtil.

“[As crianças] estão a trabalhar principalmente para subempreiteiros em fábricas de vestuário informais que produzem uma parte do produto que é depois vendido a empresas formais. E estas empresas exportam o produto”, explica a investigadora.

36,1% dos rapazes e 34,6% das raparigas declararam sentir fadiga extrema. Outras crianças relataram ter dores de costas, febre e feridas superficiais.

23/01/2017

UNICEF: 6 milhões de crianças morrem por ano de causas evitáveis

Segundo dados da UNICEF, seis milhões de crianças continuam a morrer no mundo todos os anos devido a causas que são evitáveis. Apesar dos progressos alcançados nas últimas décadas — há 15 anos havia quase o dobro das crianças hoje nesta situação — a UNICEF recorda que as crianças dos agregados familiares mais pobres têm duas vezes mais probabilidades de morrer antes dos cinco anos do que as crianças dos meios mais ricos. E a verdade é que doenças infecciosas, diarreia, desidratação mortal e subnutrição crónica, causas de morte da maior parte destas crianças, seriam tratáveis a custos relativamente baixos.

Mas, analisando a questão mais globalmente, e se evitada a morte destes seis milhões de crianças anualmente, a verdade é que também seria necessário alimentar, educar e empregar mais uns quantos milhões de seres humanos todos os anos poupados a este genocídio. 

Ora, o sistema capitalista, que domina à escala mundial e cujo objectivo central é a obtenção do lucro máximo e a acumulação de capital, é um sistema que constrói grandes hotéis de luxo, carros e iates de milhões, sofisticado armamento, além de possibilitar o voo em poderosas naves espaciais. Mas, ao mesmo tempo, é também um sistema que não se mostra capaz de resolver pequenos problemas de saúde e de vida de milhões de crianças, assim como de muitas outras centenas de milhões de seres humanos. Assim, seria de esperar que um tal sistema fosse capaz de resolver os grandes problemas da Humanidade?

Mais, a UNICEF afirma que são quase 385 milhões as crianças a viver em situação de pobreza extrema e mais de 250 milhões de crianças em idade escolar não estão a frequentar a escola ou a aprender. E acrescenta: “Os direitos das crianças encurraladas em zonas sob cerco — nomeadamente na Síria, no Iraque, no norte da Nigéria — estão ainda mais ameaçados, pois as suas escolas, hospitais e casas têm sido alvo de ataques. A directora executiva da UNICEF Portugal sublinha que os conflitos, as crises e a pobreza extrema estão “a colocar a vida e o futuro de milhões de crianças em risco”. O que o relatório não diz (ou até sugere soluções enviesadas) é que as guerras que refere responsáveis por algumas destas situações, geralmente foram promovidas e alimentadas pelos países imperialistas, tal como EUA, França, Reino Unido e Alemanha.

Apenas 8 homens possuem a mesma riqueza que metade do mundo

“É obsceno que tanta riqueza esteja a ser mantida nas mãos de tão poucos, quando 1 em cada 10 pessoas sobrevive com menos de US$ 2 por dia. A desigualdade está a enclausurar centenas de milhões na pobreza; está a fracturar as nossas sociedades e a minar a democracia.”

O relatório da Oxfam, “Uma economia para os 99%“, mostra-nos que a diferença entre os ricos e pobres é muito maior do que era pensado. Nele, espelha-se como os grandes negócios e os super-ricos alimentam a crise da desigualdade com a:
  • Fuga aos impostos
  • Redução de
  • Uso dos seus poderes para influenciarem a política.
Ele exige uma mudança fundamental na maneira como gerenciamos nossas economias para que elas funcionem para todas as pessoas, e não apenas para alguns afortunados.

Os novos e melhores dados sobre a distribuição da riqueza global, em especial na Índia e na China, indicam que a metade mais pobre do mundo tem menos riqueza do que se pensava anteriormente. 

Se estes novos dados tivessem sido disponibilizados no ano passado, mostrariam que 9 bilionários possuíam a mesma riqueza que a metade mais pobre do planeta, e não 62, como a Oxfam calculou na época.

Winnie Byanyima, Directora Executiva da Oxfam International, disse:

“É obsceno que tanta riqueza esteja a ser mantida nas mãos de tão poucos, quando 1 em cada 10 pessoas sobrevive com menos de US$ 2 por dia. A desigualdade está a enclausurar centenas de milhões na pobreza; está a fracturar as nossas sociedades e a minar a democracia.”

“Por todo o mundo, as pessoas estão a ser deixadas para trás. Seus salários estão estagnados e os patrões das cooperações levam para casa milhões de dólares em bónus; os seus serviços de saúde e de educação são cortados enquanto as corporações e os super-ricos fogem aos impostos; as suas vozes são ignoradas enquanto os governos cantam a melodia dos grandes negócios e da elite rica.”

29/12/2016

Sabe porque se tornou viral esta foto de uma embalagem de iogurte?


É  um copo de iogurte como tantas outras embalagens de plástico encontradas nas praias um pouco por todo o mundo. O que há de surpreendente nele? O facto de, aparentemente, ser uma embalagem de 1976.

40 anos depois da sua criação, a embalagem da Yoplait – que ostenta o logótipo dos Jogos Olímpicos de 1976 realizados em Montreal, Quebeque – foi encontrada numa praia em França e a sua fotografia tornou-se viral nas redes sociais.

A mensagem que passa é clara: a poluição marítima causada pelo lixo plástico é um problema real. O plástico pode demorar séculos a decompor-se e a sua presença no mar é prejudicial à fauna marinha.

Segundo o autor da descoberta, no entanto, a embalagem da Yoplait parece estar em melhores condições do que seria de esperar, dada a sua idade, o que o levou a conjeturar que “talvez tenha vindo de um aterro e que tenha estado abrigada das intempéries durante a maior parte dos últimos 40 anos”.

Se um saco de plástico pode demorar décadas a decompor-se, uma garrafa do mesmo material demora, em média, 450 anos a fazê-lo, de acordo com estudos do Departamento de Ciência Ambiental de New Hampshire.

No mar, estes resíduos plásticos vão-se decompondo em pequenos pedaços de plástico, libertando químicos tóxicos e ameaçando os animais marinhos que os ingerem por os confundirem com comida.

Todos os anos, pelo menos oito milhões de toneladas de plástico invadem os oceanos e, segundo um relatório da Fundação Ellen MacArthur, até 2050, haverá mais plástico do que peixes (por peso) no mar.


em UniPlanet

The System is Broken - "O Sistema está Avariado"

Bem, o sistema está avariado e os economistas não nos conseguem tirar disto. 


Num artigo de final de ano, o biógrafo de John Maynard Keynes, o economista Lord Robert Skidelsky escreve "Sejamos honestos: hoje ninguém sabe o que está acontecer na economia mundial. A recuperação desde o colapso de 2008 foi inesperadamente lenta. Estamos no caminho para a saúde plena ou para um atolado de "estagnação secular"? A globalização vem ou vai? "

Ele prossegue: "Os decisores políticos não sabem o que hão fazer. Eles pressionam as alavancas usuais (e incomuns) e nada acontece. O Quantitative Easing (Injecção de dinheiro) deveria ter trazido a inflação de volta ao estimado. Não o fez. A Contracção Fiscal (Austeridade) deveria ter restaurado a confiança. Não o fez.


Skidelsky coloca a culpa disto sobre o estado da macroeconomia - ele lembra-nos a infame visita da Rainha
Isabel II à London School of Economics no auge da Grande Recessão, em 2008, quando ela perguntou a um grupo de eminentes economistas: Porque é que não viram isto a chegar? Eles responderam que não sabiam porque é que não sabiam!


Skidelsky continua para considerar as várias razões para o fracasso da economia dominante em ver a crise chegar ou agora para saber o que fazer com isso. Uma razão pode ser a concentração da educação económica em modelos irrealistas e fórmulas matemáticas, ao invés de compreender "o quadro completo". Ele considera que a economia se isolou do "entendimento comum de como as coisas funcionam ou devem funcionar". Esta análise segue a argumentada recentemente por Paul Romer, o novo economista-chefe do Banco Mundial, que, ao renunciar à academia, também atacou o estado da macroeconomia de hoje.


A segunda razão de Skidelsky é que a economia dominante considera a sociedade como uma máquina capaz de alcançar o equilíbrio entre a oferta e a procura, de forma que os "desvios do equilíbrio são "atritos", meras "lombas na estrada "; Os resultados são predeterminados e óptimos." O que isto não consegue reconhecer, diz Skidelsky, é que são seres humanos a operar um sistema económico e não podem ser ajustados num modelo ou numa máquina de equilíbrio. A matemática então entra no caminho do quadro geral com todas as suas imprevisibilidades e mudanças humanas. O que está errado com a economia, de acordo com Skidelsky, é que há uma falta de "educação ampla e de perspectivas". Os economistas precisam saber sobre coisas mais amplas na organização, no comportamento social e na história do desenvolvimento humano, não apenas dos modelos e fórmulas matemáticas.


Embora os argumentos de Skidelsky tenham mais do que um elemento de verdade, ele não explica realmente porque é que a economia dominante se tornou divorciada da realidade. Isto não é um erro de educação (económica) ou falta de conhecimento de ciências sociais mais amplas, como a psicologia; É o resultado deliberado da necessidade de se evitar encarar a realidade do capitalismo.

A "economia política" começou como uma análise da natureza do capitalismo numa base "objectiva" pelos grandes economistas clássicos Adam Smith, David Ricardo, James Mill e outros. Mas assim que o capitalismo se tornou o modo dominante de produção nas grandes economias, ficou claro que o capitalismo era outra forma de exploração do trabalho (desta vez pelo capital), então os economistas moveram-se rapidamente para negar esta realidade.

Em vez disso, a economia dominante tornou-se uma apologia para o capitalismo, com o equilíbrio geral substituindo a concorrência real; Utilidade Marginal substituindo a Teoria do Valor do Trabalho e a Lei de Say substituindo as crises.  (Lei dos Mercados de Say)



Como disse Marx sucintamente: "De uma vez por todas, posso afirmar aqui que, pela economia política clássica, compreendo que a economia desde o tempo de W. Petty investigou as relações reais de produção na sociedade burguesa, em contraposição à
economia vulgar, que trata apenas das aparências, reflecte sem cessar sobre os materiais desde há muito fornecidos pela economia científica, e lá procura as explicações mais plausíveis para os fenómenos mais absurdos, para o uso diário do burguês, mas para o resto, limita-se a sistematizar duma forma pedante e proclamando as verdades eternas, as ideias banais sustentadas pela burguesia auto-complacente em relação ao seu próprio mundo, para eles o melhor de todos os mundos possíveis ".



O que há de errado com a economia dominante não é (apenas) os economistas de hoje que são estreitamente matemáticos e focados em modelos económicos - não há nada inerentemente errado com o uso de matemática e modelos - ou que a maioria dos economistas não têm a "erudição mais ampla e talentos múltiplos" dos economistas clássicos do passado. É que a economia já não é "economia política", uma análise objectiva das leis do movimento do capitalismo, mas uma apologia para todas as "virtudes" do capitalismo.


O pressuposto desta economia é que o capitalismo é o único sistema viável de organização social humana que irá entregar os desejos e necessidades das pessoas. Não há alternativa. O capitalismo é eterno e funciona desde que não haja muita interferência nos mercados de forças externas como o governo ou de monopólios "excessivos". Ocasionalmente, a tarefa é controlar "choques" ao sistema (visão neoclássica) ou fazer intervenções para corrigir "problemas técnicos" na produção capitalista e na circulação (visão keynesiana). Mas o próprio sistema está bem.


Veja-se a reacção de Paul Krugman (Nobel Economia 2008) ao artigo de Skidelsky. O que irrita Krugman é a sugestão de Skidelsky de que a economia dominante considera que a Contracção Fiscal (Austeridade) era necessária para "restaurar a confiança" depois da Grande Recessão. Krugman, como moderno decano do keynesianismo, discorda do biógrafo de Keynes. A economia dominante, pelo menos a ala keynesiana, argumentava o contrário. Mais gastos do governo, e não menos, teriam tirado a economia capitalista da depressão. Isto é macroeconomia básica, diz Krugman.


Ele prossegue para reivindicar que a austeridade está "fortemente correlacionada com as recessões económicas". Na verdade, a evidência para essa afirmação é realmente bastante fraca, como mostrei em vários lugares no meu blog e em artigos (publicados e futuros). As grandes soluções keynesianas de dinheiro fácil, taxas de juros zero e gastos fiscais ficaram bem longe de dar um fim à depressão quando foram testados (e todos os três foram tentados no Japão).

Krugman, é claro, diz-nos que eles não foram tentados, pelo menos não o suficiente. Os políticos "recusaram-se a usar a política fiscal para promover empregos; Eles escolheram acreditar no conto de fadas da confiança para justificar os ataques ao estado de bem-estar, porque era isso o que queriam fazer. E sim, alguns economistas deram-lhes cobertura. Mas essa é uma história muito diferente da afirmação de que a economia não conseguiu oferecer orientação útil. Pelo contrário, ofereceu uma orientação extremamente útil, que os políticos, por razões políticas, optaram por ignorar ".


Na minha opinião, os decisores políticos podem ter optado por ignorar os gastos fiscais para resolver o "problema técnico" da Grande Depressão, em parte "por razões políticas". Mas há também boas razões económicas para argumentar que, numa economia capitalista, o aumento dos gastos do governo e os déficits orçamentais correntes não obterão uma recuperação económica se a rentabilidade do capital for baixa.



Skidelsky mencionou o outro grande ângulo morto da economia dominante: a alegação de que a livre circulação de bens e capital, a globalização, funciona para todos. Angus Deaton, vencedor do Prémio Nobel de Economia em 2015, é um defensor optimista da globalização. O livro de 2013 de Deaton, "The Great Escape", argumentou que o mundo em que vivemos hoje é mais saudável e mais rico do que teria sido, graças a séculos de integração económica.  Numa entrevista ao Financial Times, Deaton diz que "a globalização para mim não parece ser um dano de primeira ordem e acho muito difícil não pensar no bilião de pessoas que foram tiradas da pobreza como resultado".


Já discuti os argumentos de Deaton em artigos anteriores. Deaton representa tudo o que há de melhor na economia dominante, como ele olha para as grandes questões: globalização, robôs, desigualdade e saúde humana e felicidade. Ele está agora preocupado com a ameaça da participação dos robôs no trabalho, as crescentes desigualdades em relação à "busca para alugar" e a deterioração da saúde dos norte-americanos por causa do uso excessivo de drogas que as empresas farmacêuticas lhes aplicam. Ele reconhece que "a felicidade efectiva atingiu o pico assim que uma pessoa estava ganhar o equivalente a US $ 75.000 por ano."


Naturalmente, a maioria não ganhar sequer isso, como Deaton sabe. Mas ele continua confiante de que o capitalismo é o melhor sistema de organização social, já que tirou um bilião de pessoas "para fora da pobreza" nos últimos 250 anos. Assim, o capitalismo funciona, mesmo que os seus apologistas ignorem o seu funcionamento e não possam explicar quando não funciona.



O entrevistador do Financial Times deixou Deaton e voltou para seu carro. "Há um bilhete de estacionamento molhado e colado ao meu pára-brisas, uma multa de US $ 40. Eu sorrio. Eu também estou de volta ao conselho que Deaton ofereceu quando me sentei e mencionei o meu medo de depois ter uma multa. "Eu tenho certeza que você se pode livrar dela", disse o prémio Nobel. "Basta dizer-lhes que o sistema estava avariado."


Bem, o sistema está avariado e os economistas não nos conseguem tirar disto.


por Michael Roberts


RiseUP Portugal

28/12/2016

Estados Unidos criam Centro «de luta contra a propaganda estrangeira»

A 23 de Dezembro de 2016, o Presidente Barack Obama assinou a Lei de Autorização de Defesa Nacional para o Ano Fiscal de 2017 (S.2943) : Imagem - Casa Branca

A Lei S.2943 tem na secção 1287, o Centro de Envolvimento Geral (Global Engagement Center), cuja função é a de lutar contra a propaganda e desinformação inimiga. Existem também outras coisas interessantes só nesta secção e são mais de cinco mil secções. Sendo que uma das melhores coisas desta Lei é o "Pai" da mesma.


Este Centro, que se junta agora ao Centro de Comunicação Estratégica da NATO e à Unidade de Comunicação Estratégica da União Europeia, dispõe de um orçamento de $ 140.000.000 (140 milhões de dólares) fornecidos pelo Departamento de Defesa e Secretaria de Estado.

O Centro norte-americano é colocado sob a responsabilidade do Secretário de Estado que analisará aquilo que deve ser considerado como «propaganda estrangeira». Pode usar os fundos para sub-contratar prestadores de serviços (Sociedade Civil, Média e Comunicação Social, ONGs, Centros de Pesquisa, Empresas Privadas, Universidades, etc...).

Esta Lei foi patrocinada pelo Senador Jonh McCain, do Partido Republicano Americano, a quem muitos atribuem a origem da Primavera Árabe por exemplo. Uma ilação natural para quem se deixa fotografar em Países em que já existem "revoltas de bastidores" mas que a seguir ás visitas atingem um verdadeiro e novo nível de "revolução" - Síria, Ucrânia, Líbano, Líbia etc...




A 20 de Agosto de 2015, o Centro de Comunicação Estratégica da NATO é inaugurado em Riga, sob a direcção de Jānis Sārts, e na presença de John McCain  - aqui em conversação com a Presidente lituana Dalia Grybauskaitė.



Algumas visitas de John McCain


Senador John McCain de visita à Síria em Maio de 2013.


No primeiro plano, à direita, reconhece-se o director da Syrian Emergency Task Force. No enquadramento da porta, ao centro, Mohammad Nour, era nesta altura porta-voz da Brigada Tempestade do Norte (da frente Al-Nusra, quer dizer Al-Qaeda na Síria)


John McCain e o Estado-Maior do Exército Sírio Livre. No primeiro plano, à esquerda, Ibrahim al-Badri, com o qual senador está em vias de conferenciar. Precisamente a seguir, o brigadeiro-general Salim Idriss (de óculos).

Se nela podemos ver o brigadeiro-general Salem Idriss, chefe do Exército Sírio Livre, também aí se pode ver Ibrahim al-Badri (em primeiro plano, à esquerda), com quem o senador está em vias de conferenciar. De regresso desta viagem surpresa, John McCain, afirmou que todos os responsáveis do Exército Sírio Livre são «moderados nos quais se pode confiar»


Ora, desde 4 de Outubro de 2011, Ibrahim al-Badri, também conhecido como Abu Du’a, figurava na lista dos cinco terroristas mais procurados pelos Estados Unidos (Rewards for Justice-Recompensas para Justiça). Uma recompensa que podia ir até aos $ 10 milhões de dólares, era oferecida a quem ajudasse na sua captura. No dia seguinte, 5 de Outubro de 2011, Ibrahim al-Badri foi colocado na lista do Comité de sanções da ONU como membro da Al-Qaeda.


Ibrahim al-Badri, com o nome de guerra de Abu Bakr al-Baghdadi, criou o Estado Islâmico no Iraque e no Levante (EIIL) enquanto pertencia ao Estado-Maior do Exército Sírio Livre, os tais "rebeldes moderados e bons".

John McCain de visita à Ucrânia a 14 de Dezembro de 2013.

John McCain de visita à Líbia em 2011


John Mcain de visita ao Líbano a 6 de Julho de 2012. Press Release - Embaixada Americana
O Senador é também o Director da National Endowment for Democracy (NED), organização-não lucrativa que apoia o Instituto Poynter. Este Instituto/Escola de Jornalismo será utilizado pelo Facebook, ABC News  (Grupo Disney), e outro meios de comunicação como "fact-checkers", verficadores de factos ou os novos «Ministérios da Verdade»

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O Instituto Poynter foi criado em 1975 por Nelson Poynter mas acabou nas mãos do bilionário Robert Bass em 1988. Esta Escola/Instituto detém o jornal  "Tampa Bay Times", em St. Petersburg, Flórida.

Em 2015, criou a Rede Internacional de "Verificadores de Factos" (International Fact Checking Network), e escolheu para dirigir o projecto Alexios Mantzarlis, um antigo assessor de Mario Monti, ex-primeiro ministro italiano.

Este projecto foi financiado por Pierre Omidyar (Doou um milhão de dólares à campanha de Hillary Clinton) , fundador do eBay e pela National Endowment for Democracy (NED), organização não-lucrativa sediada em Washington, financiada essencialmente pelo Congresso Norte-Americano, e que teve como co-fundador Ronald Reagan em 1983. (Nota: Existem mais, iremos em breve actualizar os financiadores deste Projecto. O Bill Gates não gostaria de saber que foi ignorado, ainda que sem querer.)

O "Tampa Bay Times" (detido pelo Instituto Poynter), antigo St. Petersburg Times, apoiou publicamente Al Gore em 2000, John Kerry em 2004, Barack Obama em 2008 e 2012  e finalmente Hillary Clinton em 2016.

RiseUP Portugal

27/12/2016

O Império do Consumo - por Eduardo Galeano


O sistema fala em nome de todos, dirige a todos as suas ordens imperiosas de consumo, difunde entre todos a febre compradora; mas sem remédio: para quase todos esta aventura começa e termina no écran da televisão. A maioria, que se endivida para ter coisas, termina por ter nada mais que dívidas para pagar dívidas as quais geram novas dívidas, e acaba a consumir fantasias que por vezes materializa delinquindo.

Os donos do mundo usam o mundo como se fosse descartável: uma mercadoria de vida efémera, que se esgota como se esgotam, pouco depois de nascer, as imagens disparadas pela metralhadora da televisão e as modas e os ídolos que a publicidade lança, sem tréguas, no mercado. Mas para que outro mundo vamos mudar-nos?

A explosão do consumo no mundo actual faz mais ruído do que todas as guerras e provoca mais alvoroço do que todos os carnavais. Como diz um velho provérbio turco: quem bebe por conta, emborracha-se o dobro. O carrossel aturde e confunde o olhar; esta grande bebedeira universal parece não ter limites no tempo nem no espaço. Mas a cultura de consumo soa muito, tal como o tambor, porque está vazia.

E na hora da verdade, quando o estrépito cessa e acaba a festa, o borracho acorda, só, acompanhado pela sua sombra e pelos pratos partidos que deve pagar. A expansão da procura choca com as fronteiras que lhe impõe o mesmo sistema que a gera. O sistema necessita de mercados cada vez mais abertos e mais amplos, como os pulmões necessitam do ar, e ao mesmo tempo necessitam que andem pelo chão, como acontece, os preços das matérias-primas e da força humana de trabalho.

O direito ao desperdício, privilégio de poucos, diz ser a liberdade de todos. Diz-me quanto consomes e te direi quanto vales. Esta civilização não deixa dormir as flores, nem as galinhas, nem as pessoas. Nas estufas, as flores são submetidas a luz contínua, para que cresçam mais depressa. Nas fábricas de ovos, as galinhas também estão proibidas de ter a noite. E as pessoas estão condenadas à insónia, pela ansiedade de comprar e pela angústia de pagar.

Este modo de vida não é muito bom para as pessoas, mas é muito bom para a indústria farmacêutica. Os EUA consomem a metade dos sedativos, ansiolíticos e demais drogas químicas que se vendem legalmente no mundo, e mais da metade das drogas proibidas que se vendem ilegalmente, o que não é pouca coisa se se considerar que os EUA têm apenas cinco por cento da população mundial.

"Gente infeliz os que vivem a comparar-se", lamenta uma mulher no bairro do Buceo, em Montevideu. A dor de já não ser, que outrora cantou o tango, abriu passagem à vergonha de não ter. Um homem pobre é um pobre homem. "Quando não tens nada, pensas que não vales nada", diz um rapaz no bairro Villa Fiorito, de Buenos Aires. E outro comprova, na cidade dominicana de San Francisco de Macorís: "Meus irmãos trabalham para as marcas. Vivem comprando etiquetas e suando em bica para pagar as prestações".

Invisível violência do mercado: a diversidade é inimiga da rentabilidade e a uniformidade manda. A produção em série, em escala gigantesca, impõe em todo lado as suas pautas obrigatórias de consumo. Esta ditadura da uniformização obrigatória é mais devastadora que qualquer ditadura do partido único: impõe, no mundo inteiro, um modo de vida que reproduz os seres humanos como fotocópias do consumidor exemplar.

O consumidor exemplar é o homem quieto. Esta civilização, que confunde a quantidade com a qualidade, confunde a gordura com a boa alimentação. Segundo a revista científica The Lancet, na última década a "obesidade severa" aumentou quase 30% entre a população jovem dos países mais desenvolvidos.

Entre as crianças norte-americanas, a obesidade aumentou uns 40% nos últimos 16 anos, segundo a investigação recente do Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Colorado. O país que inventou as comidas e bebidas light, as diet food e os alimentos fat free tem a maior quantidade de gordos do mundo. O consumidor exemplar só sai do automóvel para trabalhar e ver televisão. Sentado perante o pequeno écran, passa quatro horas diárias a devorar comida de plástico.

Triunfa o lixo disfarçado de comida: esta indústria está a conquistar os paladares do mundo e a deixar em farrapos as tradições da cozinha local. Os costumes do bom comer, que vêem de longe, têm, em alguns países, milhares de anos de refinamento e diversidade, são um património colectivo que de algum modo está nos fogões de todos e não só na mesa dos ricos.

Essas tradições, esses sinais de identidade cultural, essas festas da vida, estão a ser espezinhadas, de modo fulminante, pela imposição do saber químico e único: a globalização do hambúrguer, a ditadura do fast food. A plastificação da comida à escala mundial, obra da McDonald's, Burger King e outras fábricas, viola com êxito o direito à autodeterminação da cozinha: direito sagrado, porque na boca a alma tem uma das suas portas.

O campeonato mundial de futebol de 98 confirmou-nos, entre outras coisas, que o cartão MasterCard tonifica os músculos, que a Coca-Cola brinda eterna juventude e o menu do MacDonald's não pode faltar na barriga de um bom atleta. O imenso exército de McDonald's dispara hambúrgueres às bocas das crianças e dos adultos no planeta inteiro.

O arco duplo desse M serviu de estandarte durante a recente conquista dos países do Leste da Europa. As filas diante do McDonald's de Moscovo, inaugurado em 1990 com fanfarras, simbolizaram a vitória do ocidente com tanta eloquência quanto o desmoronamento do Muro de Berlim.

Um sinal dos tempos: esta empresa, que encarna as virtudes do mundo livre, nega aos seus empregados a liberdade de filiar-se a qualquer sindicato. A McDonald's viola, assim, um direito legalmente consagrado nos muitos países onde opera.

Em 1997, alguns trabalhadores, membros disso que a empresa chama a Macfamília, tentaram sindicalizar-se num restaurante de Montreal, no Canadá: o restaurante fechou. Mas em 98, outros empregados da McDonald's, numa pequena cidade próxima a Vancouver, alcançaram essa conquista, digna do Livro Guinness.

As massas consumidoras recebem ordens num idioma universal: a publicidade conseguiu o que o esperanto quis e não pôde. Qualquer um entende, em qualquer lugar, as mensagens que o televisor transmite. No último quarto de século, os gastos em publicidade duplicaram no mundo.

Graças a ela, as crianças pobres tomam cada vez mais Coca-Cola e cada vez menos leite, e o tempo de lazer vai-se tornando tempo de consumo obrigatório. Tempo livre, tempo prisioneiro: as casas muito pobres não têm cama, mas têm televisor e o televisor tem a palavra.

Comprados a prazo, esse animalejo prova a vocação democrática do progresso: não escuta ninguém, mas fala para todos. Pobres e ricos conhecem, assim, as virtudes dos automóveis último modelo, e pobres e ricos inteiram-se das vantajosas taxas de juro que este ou aquele banco oferece.

Os peritos sabem converter as mercadorias em conjuntos mágicos contra a solidão. As coisas têm atributos humanos: acariciam, acompanham, compreendem, ajudam, o perfume te beija e o automóvel é o amigo que nunca falha. A cultura do consumo fez da solidão o mais lucrativo dos mercados.

As angústias enchem-se atulhando-se de coisas, ou sonhando fazê-lo. E as coisas não só podem abraçar: elas também podem ser símbolos de ascensão social, salvo-condutos para atravessar as alfândegas da sociedade de classes, chaves que abrem as portas proibidas.

Quanto mais exclusivas, melhor: as coisas te escolhem e te salvam do anonimato multitudinário. A publicidade não informa acerca do produto que vende, ou raras vezes o faz. Isso é o que menos importa.

A sua função primordial consiste em compensar frustrações e alimentar fantasias: Em quem o senhor quer converter-se comprando esta loção de fazer a barba? O criminólogo Anthony Platt observou que os delitos da rua não são apenas fruto da pobreza extrema. Também são fruto da ética individualista.

A obsessão social do êxito, diz Platt, incide decisivamente sobre a apropriação ilegal das coisas. Sempre ouvi dizer que o dinheiro não produz a felicidade, mas qualquer espectador pobre de TV tem motivos de sobra para acreditar que o dinheiro produz algo tão parecido que a diferença é assunto para especialistas.

Segundo o historiador Eric Hobsbawm, o século XX pôs fim a sete mil anos de vida humana centrada na agricultura desde que apareceram as primeiras culturas, em fins do paleolítico. A população mundial urbaniza-se, os camponeses fazem-se cidadãos.

Na América Latina temos campos sem ninguém e enormes formigueiros urbanos: as maiores cidades do mundo e as mais injustas. Expulsos pela agricultura moderna de exportação, e pela erosão das suas terras, os camponeses invadem os subúrbios.

Eles acreditam que Deus está em toda parte, mas por experiência sabem que atende nas grandes urbes. As cidades prometem trabalho, prosperidade, um futuro para os filhos. Nos campos, os que esperam vêem passar a vida e morrem a bocejar; nas cidades, a vida ocorre, e chama.

Apinhados em tugúrios, a primeira coisa que descobrem os recém chegados é que o trabalho falta e os braços sobram. Enquanto nascia o século XIV, frei Giordano da Rivalto pronunciou em Florença um elogio das cidades.

Disse que as cidades cresciam "porque as pessoas têm o gosto de juntar-se". Juntar-se, encontrar-se. Agora, quem se encontra com quem? Encontra-se a esperança com a realidade? O desejo encontra-se com o mundo? E as pessoas encontram-se com as pessoas? Se as relações humanas foram reduzidas a relações entre coisas, quanta gente se encontra com as coisas?

O mundo inteiro tende a converter-se num grande écran de televisão, onde as coisas se olham mas não se tocam. As mercadorias em oferta invadem e privatizam os espaços públicos. As estações de autocarros e de comboios, que até há pouco eram espaços de encontro entre pessoas, estão agora a converter-se em espaços de exibição comercial.

O centro comecial, ou shopping center, vitrina de todas as vitrinas, impõe a sua presença avassaladora. As multidões acorrem, em peregrinação, a este templo maior das missas do consumo. A maioria dos devotos contempla, em êxtase, as coisas que os seus bolsos não podem pagar, enquanto a minoria compradora submete-se ao bombardeio da oferta incessante e extenuante.

A multidão, que sobe e baixa pelas escadas mecânicas, viaja pelo mundo: os manequins vestem como em Milão ou Paris e as máquinas soam como em Chicago, e para ver e ouvir não é preciso pagar bilhete.

Os turistas vindos das povoações do interior, ou das cidades que ainda não mereceram estas bênçãos da felicidade moderna, posam para a foto, junto às marcas internacionais mais famosas, como antes posavam junto à estátua do grande homem na praça. Beatriz Solano observou que os habitantes dos bairros suburbanos vão ao center, ao centro comercial, como antes iam ao centro.

O tradicional passeio do fim de semana no centro da cidade tende a ser substituído pela excursão a estes centros urbanos. Lavados, passados e penteados, vestidos com as suas melhores roupas, os visitantes vêm a uma festa onde não são convidados, mas podem ser observadores.

Famílias inteiras empreendem a viagem na cápsula espacial que percorre o universo do consumo, onde a estética do mercado desenhou uma paisagem alucinante de modelos, marcas e etiquetas. A cultura do consumo, cultura do efémero, condena tudo ao desuso mediático. Tudo muda ao ritmo vertiginoso da moda, posta ao serviço da necessidade vender.

As coisas envelhecem num piscar de olhos, para serem substituídas por outras coisas de vida fugaz. Hoje a única coisa que permanece é a insegurança, as mercadorias, fabricadas para não durar, resultam ser voláteis como o capital que as financia e o trabalho que as gera.

O dinheiro voa à velocidade da luz: ontem estava ali, hoje está aqui, amanhã, quem sabe, e todo trabalhador é um desempregado em potencial. Paradoxalmente, os centros comerciais, reinos do fugaz, oferecem com o máximo êxito a ilusão da segurança. Eles resistem fora do tempo, sem idade e sem raiz, sem noite e sem dia e sem memória, e existem fora do espaço, para além das turbulências da perigosa realidade do mundo.

Os donos do mundo usam o mundo como se fosse descartável: uma mercadoria de vida efémera, que se esgota como esgotam, pouco depois de nascer, as imagens que dispara a metralhadora da televisão e as modas e os ídolos que a publicidade lança, sem tréguas, no mercado. Mas a que outro mundo vamos nos mudar? Estamos todos obrigados a acreditar no conto de que Deus vendeu o planeta a umas quantas empresas, porque estando de mau humor decidiu privatizar o universo?

A sociedade de consumo é uma armadilha caça-tolos. Os que têm a alavanca simulam ignorá-lo, mas qualquer um que tenha olhos na cara pode ver que a grande maioria das pessoas consome pouco, pouquinho e nada, necessariamente, para garantir a existência da pouca natureza que nos resta.

A injustiça social não é um erro a corrigir, nem um defeito a superar: é uma necessidade essencial. Não há natureza capaz de alimentar um centro comercial do tamanho do planeta.



Eduardo Galeano

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26/12/2016

As 10 empresas que controlam tudo o que compra

Apenas 10 empresas controlam quase todas as grandes marcas de alimentos e bebidas do mundo.
Empresas como a Nestlé, PepsiCo, Coca-Cola, Unilever, Danone, General Mills, Kellogg’s, Mars, Associated British Foods e Mondelez, têm receitas que ascendem aos vários milhões de euros por ano e controlam quase tudo o que compra.

Num esforço para empurrar estas empresas a fazerem mudanças positivas e para que os clientes percebam quem controla as marcas que estão a comprar, a Oxfam criou uma infografia que mostra como as marcas que consumimos estão interligadas entre si. Imagem em XXL


Nestlé
Receitas de 2015: 77.8 mil milhões de euros | A Nestlé inclui algumas marcas que vão desde comida de bebé, a pizza congelada até aos chocolates.

Kellogg's
Receitas de 2015: 12 mil milhões de euros | Alem dos cereais Froot Loops e Frosted Flakes, a Kellogg's também é dona de marcas que incluem a Eggo, Pringles, e Cheez-It.

Associated British Foods
Receitas de 2015: 14.85 mil milhões de euros | Esta empresa britânica detém marcas como os cereais Dorset, o chá Twinings e a retalhista Primark.

General Mills
Receitas de 2015: 15.85 mil milhões de euros | A General Mills é mais conhecida por ícones de venda como Cheerios e Chex mas também é proprietária de marcas como a Yoplait, Hamburger Helper, Haagen-Dazs e Betty Crocker.

Danone
Receitas de 2015: 22.27 mil milhões de euros | Mais conhecido pelos iogurtes Activia, Yocrunch e Oikos, a Danone vende também produtos de nutrição médica e água engarrafada.

Mondelez
Receitas de 2015: 26.5 mil milhões de euros | Esta empresa centrada nos snacks de lanches, inclui marcas como Oreo, as pastilhas Trident e Sour Patch Kids.

Mars
Receitas de 2015: 29.5 mil milhões de euros | Mars é mais conhecida pelas suas marcas de chocolate, como por exemplo M & M, mas também é dono do arroz Uncle Ben, Starburst e das pastilhas Orbit.

Coca-Cola
Receitas de 2015: 39.6 mil milhões de euros | A Coca-Cola move-se para além dos refrigerantes com gás, com marcas de bebidas que incluem a Dasani, Fuze e Honest Tea.

Unilever
Receitas de 2015: 52.8 mil milhões de euros | A Unilever tem uma lista diversificada de marcas que inclui o spray corporal Axe, o chá Lipton, os gelados Magnum e a maionese Hellmann.

PepsiCo
Receitas de 2015: 56.6 mil milhões de euros | Além da Pepsi e de outros refrigerantes, a PepsiCo também é dona de marcas como Quaker Oatmeal, Cheetos e Tropicana.

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25/12/2016

NATO: Auditor Chefe que investigava Financiamento ao Terrorismo encontrado morto

Yves Chandelon, foi encontrado morto - um tiro na cabeça - família contesta tese de suicídio.


A 16 de Dezembro, Yves Chandelon, Auditor Geral da NATO para a investigação ao Financiamento do Terrorismo e Lavagem de Dinheiro, foi encontrado morto, no seu carro, com um tiro na cabeça na cidade belga de Andenne.

As autoridades alegam que foi suicídio, contudo a família de Chandelon nega veementemente essa teoria. Apesar das informações serem escassas, existem alguns detalhes que podem sugerir que Chandelon não cometeu efectivamente suicídio.

De acordo com a News.am, o auditor, que aparentemente tinha a tarefa de "investigar as questões de financiamento do terrorismo", foi encontrado a mais 99 quilómetros de Lens, a cidade onde morava - e quase a 140 quilómetros do seu local de trabalho no Luxemburgo.

Chandelon também possuía três armas de fogo registadas, mas foi uma não registada que foi descoberta junto ao corpo.

Além disso, segundo alguma imprensa, Chandelon "tinha mencionado à sua comitiva, que pensava ter sido seguido e que tinha recebido chamadas "estranhas ".

SudInfo.be
relata que a família tem um conjunto de perguntas sem resposta em torno da morte estranha, como: "Yves Chandelon tem algum inimigo?
Ele foi ameaçado no curso de seu trabalho na NATO? Foi um crime odioso feito para parecer  suicídio, ou  passou por um período conturbado? "


Alguma imprensa belga também relata que, nos dias antes da sua suspeita morte, Chandelon "sentiu-se ameaçado", e que os deveres do seu trabalho teria exigido que ele lidasse com lavagem de dinheiro e questões relacionadas com o terrorismo - "Um perfil susceptível de expor Chandelon ao perigo.
"

Na verdade, vários aliados da NATO - e, de modo flagrante, a Turquia, - foram expostos por financiar directamente grupos terroristas; Mais notoriamente, o auto-intitulado Estado Islâmico.

Mais

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NATO Auditor Investigating Terrorism Funding Found Dead, Family Disputes It Was Suicide

- NATO Chief Auditor In Charge Of Counterterrorism Funding Assassinated?

-
Le fonctionnaire de l'Otan avait le pistolet dans la main droite alors qu'il est...gaucher!

- Hallan con un disparo en la cabeza a un cargo de la OTAN que investigaba la financiación del 'EI'

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Employee from NATO in Capellen found dead in Belgium

22/12/2016

A evasão fiscal, delito dos ricos à custa dos pobres

Cerca de 800 milhões de pessoas passam fome em todo o Mundo, a maioria delas nos países ditos «em desenvolvimento». Ora nesses países, todos os anos, 250 mil milhões de euros de receitas fiscais desaparecem nos paraísos fiscais, ou seja, 6 vezes a quantia anualmente necessária para vencer a fome daqui até 2025. |1|

«Calcula-se que 85 % a 90 % destes haveres [fundos privados colocados em paraísos fiscais] pertencem a menos de 10 milhões de pessoas – ou seja, 0,014 % da população mundial –, e que pelo menos um terço desses haveres pertencem às 100 000 famílias mais ricas do mundo, pesando cada uma delas pelo menos 30 milhões de dólares». |2| Não restam dúvidas: é aos mais afortunados que faz proveito a redução das receitas fiscais por fraude, as quais perpetuam e agravam as desigualdades.

A razão levaria a pensar que os mais ricos, que gozam dos benefícios das suas sociedades, deveriam contribuir para uma redistribuição em proveito dos mais pobres, por via dos impostos sobre os benefícios dessas sociedades. Ora a mais-valia extraída graças à exploração da força de trabalho evapora-se em territórios paradisíacos para a oligarquia que governa e legisla.

Trata-se de um roubo organizado em grande escala – ilegítimo e não conforme à ideia de desenvolvimento humano – duma riqueza que pertence àquelas e àqueles que a criaram com o seu trabalho e que deveria financiar os serviços públicos. De facto, o imposto sobre os rendimentos que escapa ao fisco e por isso não é redistribuído para o bem comum permite ao capitalista optimizar a mais-valia extraída pelo trabalho e procurar meios de a privatizar na sua totalidade.

A fraude entrava o desenvolvimento


A fraude e a evasão fiscal, praticadas nomeadamente pelas multinacionais com a ajuda das grandes firmas de auditoria (os famosos «Big four»: Deloitte Touche Tohmatsu, Ernst & Young, KPMG et Price Water House Coopers), são um verdadeiro flagelo que entrava o real desenvolvimento das populações empobrecidas por essas práticas. Esta hemorragia de capitais impede a construção de hospitais e a contratação de médicos com salários decentes; o equipamento de escolas na medida necessária e o recrutamento de professores, afim de diminuir o número de alunos por turma; a implantação de redes de água potável, etc.

Para o período de 2008-2012, a Global Financial Integrity calcula que, em 31 países em desenvolvimento, as saídas ilícitas de fundos foram superiores às despesas públicas de saúde e que, em 35 países em desenvolvimento, foram superiores às despesas públicas de ensino |3|.

No seu relatório Illicit Financial Flows from Developing Countries: 2004-2013, a mesma organização verificou que os países ditos em desenvolvimento e as economias emergentes perderam 7800 mil milhões de dólares (7 002 450 000 000 euros) nos fluxos financeiros ilícitos de 2004 a 2013, com saídas ilícitas progressivamente mais elevadas, aumentando a um ritmo médio de 6,5 % ao ano – quase duas vezes maior que o ritmo de crescimento do PIB mundial!

Crescimento das desigualdades

Grande parte das necessidades gritantes, indispensáveis ao avanço de um desenvolvimento real, foram abandonadas em proveito duma oligarquia que não pára de enriquecer. O programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) indica que 8 % da população mundial mais rica embolsa metade dos rendimentos totais, indo a outra metade para os restantes 92 % |4|.

As riquezas concentradas nas mãos dos 1 % mais ricos passaram de 44 % das riquezas mundiais em 2010 para 48 % em 2014. No espaço de 20 anos, as desigualdades de rendimento aumentaram nos países em desenvolvimento. |5|

A fraude fiscal tem de ser levada a sério e merece uma justiça que castigue os culpados. É ela um dos factores que entrava o desenvolvimento dos países empobrecidos e agrava o «sistema da dívida». No seu relatório, o perito independente encarregado de estudar a dívida na ONU, M. Juan Pablo Bohoslavsky, insiste na necessidade de combater os fluxos financeiros considerados ilícitos, que «contribuem para a acumulação de uma dívida insustentável, pois a insuficiência das receitas públicas pode levar os governos a recorrerem a empréstimos externos». Os fluxos ilícitos de capitais privam assim o Estado da possibilidade de financiar actividades indispensáveis à eliminação da pobreza e à satisfação dos direitos económicos, sociais, culturais, civis e políticos.

No seguimento deste relatório foi aprovada no Conselho dos Direitos Humanos da ONU uma resolução sobre a evasão fiscal e sobre a necessidade de devolver os haveres desviados dos países ditos «em desenvolvimento». Nesta votação, ocorrida a 24/03/2016, nem um só país europeu votou a seu favor. Bélgica, França, Alemanha, Holanda, Suíça, Reino Unido, Portugal, Albânia, Eslovénia, Letónia, Geórgia, República da Coreia, ex-República jugoslava da Macedónia, México e Panamá abstiveram-se.

Fontes e referências: Artigo de opinião publicado em 1/09/2016 em Politis.fr
Tradução: Rui Viana Pereira

Ver em linha : Comité para a Anulaçao da Divida Publica Portuguesa
Notas
|1| «Ao todo, o montante das fugas de recursos para o desenvolvimento, que leva em conta, além das receitas fiscais perdidas, os ganhos que poderiam ser feitos por meio dos investimentos em falta, ronda entre os 250 mil milhões e os 300 mil milhões de dólares por ano.» Ver A. Cobham, «UNCTAD study on corporate tax in developing countries», Unacounted.org (2015). Ver também a petição em linha.

|2| Ver Étude finale sur les flux financiers illicites da ONU, p. 6, disponível em francês no site da ONU.

|3| Ver J. Spanjers e H. Foss, «Illicit financial flows and development indices: 2008-2012», Global Financial Integrity, p. 30-33 (2015).

|4| Ver PNUD, «Humanity Divided: Confronting Inequality in Developing Countries», p. xi do texto inglês (New York, 2013).

|5| Ver «Wealth: having it all and wanting more», relatório temático da Oxfam, p. 2, 3 e 7 (2015).



Ver também - "The Tax Free Tour" (Legendado em Inglês) (Download - Legendas em Português /OpenSubtitles)

Um pequeno tour mundial pelo reino da evasão fiscal, perpetuado pelas grandes multinacionais com o apoio das grandes quatro consultoras principalmente. Neste documentário falam-se de esquemas e valores inimagináveis. Uma só caixa de correio na Holanda é sede para várias multinacionais que facturam muitos  biliões mas pagam 0,5% de impostos, ou  até mesmo  0,1%  sobre o lucro tributável. Ver, apreciar e lembrar onde anda a verdadeira evasão fiscal quando se fala dela.

RiseUP Portugal

20/12/2016

Sauditas usam bombas de fragmentação Britânicas contra o Iémen

Reino Unido vendeu armas aos sauditas no valor de 3,3 mil milhões de libras só nos primeiros 12 meses de guerra no Iémen.

O Governo do Reino Unido reconheceu, esta segunda-feira, que bombas de fragmentação de fabrico britânico eram usadas na guerra de agressão contra o Iémen pelos sauditas, um aliado a quem os britânicos vendem armas no valor de milhares de milhões de libras.

O Secretário da Defesa britânico, Michael Fallon, reconheceu, ontem, na Casa dos Comuns, que os sauditas têm estado a usar bombas de fragmentação de fabrico britânico na ofensiva que lideram contra o Iémen desde Março de 2015.

Fallon teve de se dirigir ao Parlamento, nesta segunda-feira, depois de terem vindo a público os resultados de uma investigação interna do Ministério da Defesa britânico que confirmam as alegações de que Riade usa um tipo de armamento fabricado no Reino Unido que foi banido pela Convenção sobre as Munições de Fragmentação (2008) – de que o país europeu é signatário e que ratificou em 2010.

Bomba de Fragmentação de fabrico Americano usada no Iémen

Estes novos elementos surgiram no jornal The Guardian; a fonte, anónima, revela que o Governo britânico estava a par do resultado das investigações há já um mês.


No Parlamento, Michael Fallon precisou que a Arábia Saudita tinha usado bombas de fragmentação britânicas no Iémen, mas que o Reino Unido não vende esse tipo de armamento aos sauditas desde 1989.



«A coligação confirmou, hoje, que um número limitado de bombas de fragmentação BL-755, exportadas pelo Reino Unido nos anos 80, foram lançadas no Iémen», disse, citado pela RT.

Bombas de fragmentação BL-755 não detonada no Iémen


Sauditas confirmam

Também na segunda-feira, um porta-voz das Forças Armadas sauditas admitiu que o seu país «usa as bombas de fragmentação fabricadas no Reino Unido, modelo BL-755, no Iémen».

O militar disse que nem a Arábia Saudita nem outros membros da coligação que têm estado a destruir o Iémen são signatários da Convenção sobre as Munições de Fragmentação, de 2008, pelo que «não têm estado a infringir o direito internacional». Acrescentou que Riade tinha decido deixar de utilizar este tipo de munições e que já tinha posto o Governo britânico ao corrente da decisão.

Profundo envolvimento britânico

Numa entrevista recentemente concedida ao canal britânico Sky News, o primeiro-ministro iemenita, Abdulaziz bin Habtur, acusou o Reino Unido de ter cometido «crimes de guerra» no seu país. «Eles sabem que os sauditas vão lançar [as bombas] no Iémen... Em Sa'ada e Saná e noutras províncias. Eu não acho que eles [os britânicos] sejam culpados de crimes de guerra, eu tenho a certeza disso. Eles estão a participar nos bombardeamentos do povo iemenita», disse.

Recorde-se que, em meados de Outubro, Michael Fallon reconheceu o envolvimento do país na intervenção militar no Iémen, ao admitir que «o Reino Unido tem treinado a Força Aérea saudita tanto no Reino Unido como na Arábia Saudita», com o propósito de «melhorar os seus processos de selecção de alvos» e assegurar o seu melhor enquadramento no direito internacional. Negou, no entanto, que os britânicos tenham estado envolvidos em processos de decisão na ofensiva levada a cabo pelos sauditas no Iémen.

Negócio lucrativo de milhões

No mês passado, o Governo britânico recusou-se a parar o lucrativo negócio de venda de armas à Arábia Saudita, rejeitando os apelos nesse sentido de várias organizações e de duas comissões parlamentares, por considerarem que os crimes de guerra estão hoje «bem documentados» e que o país deve deixar de ser cúmplice com a «campanha assassina» que dura há 21 meses.

De acordo com a Campanha contra o Comércio de Armas (CAAT, na sigla em inglês), o Reino Unido vendeu armas aos sauditas no valor de 3,3 mil milhões de libras só nos primeiros 12 meses de guerra no Iémen.

A primeira-ministra britânica, Theresa May, tem sido uma defensora férrea dos laços anglo-sauditas. Na semana passada, insistiu na sua defesa, afirmando que a «intervenção no Iémen» tem o apoio das Nações Unidas e que, perante alegações de violações dos direitos humanos, o seu país solicita «a sua devida investigação». E já o fez... à Arábia Saudita.

May insistiu noutro aspecto: as relações com a Arábia Saudita mantêm a Britannia segura. «A segurança do Golfo é importante para nós [...] e as ligações de contra-terrorismo que mantemos com a Arábia Saudita, as informações secretas que recebemos da Arábia Saudita têm salvo centenas de vidas aqui, no Reino Unido», disse, segundo refere a RT.

Texto em AbrilAbril





RiseUP Portugal

19/12/2016

Veteranos contestam afirmações sobre 'hack' russo

Ray McGovern, ex-Oficial da Infantaria/Inteligência do Exército USA & analista da CIA (ret.)
Co-Fundador da organização Veteran Intelligence Professional for Sanity.
À medida que a histeria sobre a alegada interferência da Rússia nas eleições americanas cresce, um dos principais mistérios é o motivo pelo qual a Inteligência dos EUA depende de "evidências circunstanciais" quando tem a capacidade de ter provas concretas, dizem os Veteranos da Inteligência dos EUA.

Veteran Intelligence Professionals for Sanity


MEMORANDO


Alegações de "Hacking" nas Eleições são Infundadas


Na segunda feira, um relatório do New York Times, aludia para as "esmagadoras evidências circunstâncias" levando a CIA a acreditar que o Presidente Russo Vladimir Putin "colocou hackers com o objectivo de inclinar a eleição para Donald J. Trump é, infelizmente livre de provas. Isto não é surpresa, porque evidências factuais de natureza técnica aponta para um 'leak' (fuga) interno, não 'hacking' (intrusão) - por Russos ou outros.

O Washington Post reporta que o Senador. James Lankford, R-Oklahoma, membro do 'Senate Intelligence Committe', juntou-se a outros senadores no pedido de uma investigação bipartidária das suspeitas de ciber-intrusão da Rússia. Lendo o nosso pequeno memo poderia poupar ao Senado um partidismo endémico, despesa e atraso desnecessário.

Para o que se segue, recorremos a décadas de experiência de alto nível - com ênfase na ciber-inteligência e segurança - para cortar o nevoeiro da desinformação, em grande medida partidário. Longe de nos escondermos atrás do anonimato, estamos orgulhosos de falar com a esperança de ganhar uma audiência apropriada àquilo que merecemos - dado os nossos longos trabalhos no governo e em outras áreas da tecnologia. E, embora por mais banal que possa soar hoje em dia, o nosso carácter como profissionais de inteligência permanece, simplesmente, para dizer como é - sem medo ou favor.

Passámos por várias reivindicações sobre o que é 'hacking'.
Para nós, é um jogo de criança descartá-las. As divulgações dos emails em questão são o resultado de uma fuga, não de uma intrusão. Aqui está a diferença entre vazamento e 'hacking':


Fuga: Quando alguém retira fisicamente os dados de uma organização e os dá a outra pessoa ou organização, como Edward Snowden e Chelsea Manning fizeram.

Hack: Quando alguém num local remoto penetra electronicamente em sistemas operacionais, firewalls ou qualquer outro sistema de protecção cibernética e, em seguida, extrai dados.


Todos os sinais apontam para uma fuga, não um 'hack'.
Se pirataria estivesse envolvida, a Agência de Segurança Nacional saberia disso - e saberia tanto o remetente quanto o destinatário.

Em suma, uma vez que o vazamento requer a remoção física de dados - por exemplo, numa unidade de memória - a única forma de copiar e remover esses dados, sem rasto electrónico do que saiu do servidor, é através de um dispositivo de armazenamento físico.


Capacidades Técnicas Impressionantes


Mais uma vez, a NSA é capaz de identificar tanto o remetente quanto o destinatário quando o 'hacking' está envolvido.
Graças em grande parte ao material lançado por Edward Snowden, podemos fornecer uma imagem completa da extensa rede nacional de colecta de dados da NSA, incluindo programas na fonte como o Fairview, Stormbrew e Blarney.

Estes incluem pelo menos 30 empresas que operam,
nos EUA, as redes de fibra que transportam a rede telefónica pública comutada, bem como a World Wide Web. Isso dá à NSA um acesso sem paralelo aos dados que fluem dentro dos EUA e que saem para o resto do mundo, bem como os dados que transitam pelos EUA.

Por outras palavras, quaisquer dados que sejam transmitidos pelos servidores do Comité Nacional Democrático (DNC) ou de Hillary Rodham Clinton (HRC) - ou qualquer outro servidor nos EUA - são colectados pela NSA.
Essas transferências de dados possuem endereços de destino denominados pacotes, que permitem que a transferência seja rastreada e acompanhada pela rede.




Pacotes:
Emails enviados através da World Wide Web são divididos em segmentos menores chamados pacotes.
Esses pacotes são passados para a rede de forma a serem entregues a um destinatário. Isso significa que os pacotes precisam de ser novamente montados na extremidade que recebe.



Para concretizar isto, todos os pacotes que formam uma mensagem recebem um número de identificação que permite que a extremidade receptora os colecte para a remontagem.
Além disso, cada pacote carrega o originador e o número de protocolo de Internet do receptor final (IPV4 ou IPV6) que permite à rede encaminhar dados.


Quando os pacotes de e-mail deixam os EUA, os outros "Cinco Olhos" (Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia) e os sete ou oito países adicionais que participam com os EUA na colecta em todo o planeta também teriam um
Registo de onde esses pacotes de e-mail foram depois de deixar os EUA.



Esses recursos de colecta são extensos [ver anexos NSA slides 1, 2, 3, 4, 5];
Incluem centenas de programas de rastreamento que registam o caminho dos pacotes que atravessam a rede, dezenas de milhares de implantes de hardware e software em switches e servidores que gerem a rede.

Qualquer e-mail sendo extraído de um servidor para outro seria, pelo menos em parte, reconhecível e rastreável por todos esses recursos.
A questão é que a NSA saberia onde e como em qualquer email "hackeado" do DNC, HRC ou de outro servidor já que foram encaminhados através da rede.

Esse processo às vezes pode exigir uma análise mais detalhada do roteamento para classificar os clientes intermédios , mas no final, o remetente e o destinatário podem ser rastreados na rede.


As várias maneiras como falam os porta-vozes anónimos das agências de Inteligência dos EUA são enganadoras - dizendo coisas como "o nosso melhor palpite" ou " a nossa opinião" ou "a nossa estimativa" etc. - mostra que os e-mails supostamente "hackeados" não podem ser rastreados através da rede.

Dada a vasta capacidade de rastreamento da NSA, concluímos que os servidores DNC e HRC supostamente 'hackeados' não foram, de facto, 'hackeados'.


A evidência que lá deveria estar, está ausente;
Caso contrário, seria certamente avançada, uma vez que isso poderia ser feito sem qualquer perigo para fontes e métodos. Assim, concluímos que os e-mails foram vazados por um 'insider' - como foi o caso de Edward Snowden e Chelsea Manning.

Tal 'i
nsider' poderia ser qualquer pessoa, num departamento do governo ou agência com acesso a bases de dados da NSA, ou talvez alguém dentro do DNC.

Quanto aos comentários para os meios de comunicação sobre o que a CIA acredita, a realidade é que a CIA é quase totalmente dependente da NSA para descobertas no campo das comunicações.
Assim, permanece algum mistério porque os meios  de comunicação estão a ser alimentados com histórias estranhas sobre pirataria que não têm nenhuma base na verdade.

Em suma, tendo em conta o que sabemos das capacidades existentes da NSA, ofende a crença de que a NSA seria incapaz de identificar qualquer pessoa - russa ou não - tentando interferir numa eleição dos EUA por meio de 'hacking'



Pelo Grupo de Direcção, Veteran Intelligence Professionals for Sanity (VIPS)


- William Binney, former Technical Director, World Geopolitical & Military Analysis, NSA; co-founder, SIGINT Automation Research Center (ret.)

- Mike Gravel, former Adjutant, top secret control officer, Communications Intelligence Service; special agent of the Counter Intelligence Corps and former United States Senator

- Larry Johnson, former CIA Intelligence Officer & former State Department Counter-Terrorism Official

- Ray McGovern, former US Army infantry/intelligence officer & CIA analyst (ret.)

- Elizabeth Murray, Deputy National Intelligence Officer for Middle East, CIA (ret.)

- Kirk Wiebe, former Senior Analyst, SIGINT Automation Research Center, NSA (ret.)

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Em Consortium News

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