24/01/2017

Crianças do Bangladesh trabalham 64 h/semana para fazer a nossa roupa barata

Um relatório do OverSeas Development Institute (ODI) revelou que existe um número preocupante de crianças com idades inferiores a 14 anos, no Bangladesh, que abandonaram a escola e têm empregos a tempo inteiro. Em média, estas crianças trabalham 64 horas por semana.

 
Shakhil Khan tem 10 anos e trabalha numa fábrica têxtil
Os investigadores estudaram quase 3000 agregados familiares desprivilegiados dos bairros degradados de Dhaka, no Bangladesh, e descobriram crianças de apenas 6 anos com empregos a tempo inteiro. Outras chegavam a trabalhar 110 horas por semana. Estas crianças recebiam, em média, pelo seu trabalho, menos de 2€ por dia.

“A prevalência do trabalho infantil no Bangladesh é preocupante”, declarou Maria Quattri, uma das autoras do estudo. 

De acordo com o que descobriu, dois terços das raparigas com empregos trabalham na indústria do vestuário, o que levanta sérias questões sobre a roupa exportada e o trabalho infantil

Os rapazes têm ofícios mais variados: alguns trabalham nas obras e no fabrico de tijolos e outros em lojas ou vendem produtos na rua. 13% deles trabalham também em fábricas têxteis ou em outras partes do sector têxtil.

“[As crianças] estão a trabalhar principalmente para subempreiteiros em fábricas de vestuário informais que produzem uma parte do produto que é depois vendido a empresas formais. E estas empresas exportam o produto”, explica a investigadora.

36,1% dos rapazes e 34,6% das raparigas declararam sentir fadiga extrema. Outras crianças relataram ter dores de costas, febre e feridas superficiais.


Ridoy tem 7 anos e trabalha numa fábrica, em Dhaka, que produz utensílios de metal 

 Amina (nome falso para proteger a sua identidade) tem 14 anos e só concluiu o 4º ano da escola primária. Quando o seu pai ficou doente, há três anos, Amina começou a trabalhar para ajudar a pagar as contas médicas. Hoje em dia, trabalha 12 horas por dia (com duas curtas pausas) nos serviços domésticos. “Perdi muito por não ir à escola. Mas a minha família é pobre e o meu pai está doente”, disse. Pelo seu trabalho, Amina recebe 30€ por mês.

Embora a idade mínima de admissão para prestar trabalho no Bangladesh seja de 14 anos, as crianças com 12 ou 13 anos podem realizar “trabalhos leves” limitados a 42 horas por semana. Este tipo de trabalho não está claramente definido, mas exclui o trabalho nos caminhos de ferro, em portos ou fábricas e os turnos noturnos. No entanto, estas leis são, em grande parte, ignoradas e o governo carece de inspetores de trabalho ou de outras autoridades necessárias para as fazer cumprir.

À semelhança de outros estudos, o relatório do ODI sugere que haverá milhões de crianças com menos de 14 anos a trabalhar no país asiático. O Bangladesh, com os seus 150 milhões de habitantes, tem feito progresso, nas últimas décadas para reduzir a sua taxa de pobreza, que passou de 50% da população para um terço, mas, mesmo assim, milhões dos seus cidadãos continuam a viver em favelas.

Só a escola primária é gratuita e obrigatória no país e muitas famílias carenciadas afirmaram ter colocado os seus filhos no mercado do trabalho e não na escola devido ao valor das propinas escolares. Os investigadores descobriram que a maioria das crianças “trabalhadoras” tinha dificuldade em ler uma frase simples como “a menina está a brincar” em bengali. Houve muitas que não a conseguiram ler de todo.
“O trabalho infantil representa um sintoma da pobreza e uma causa da privação educacional. Transmite a pobreza pelas gerações, aprisiona as crianças num ciclo de pobreza e compromete o crescimento económico nacional. O que o nosso estudo descobriu em Dhaka é um microcosmo de um problema global que deveria estar no centro da agenda internacional”, disse Kevin Watkins, coautor do estudo.

As crianças que trocam a educação pelo trabalho mal remunerado dificilmente reunirão as qualificações e habilidades necessárias para quebrar o ciclo da pobreza entre as gerações.

Este artigo foi retirado do site The Uniplanet.
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11 comentários:

  1. Sabemos onde os "maus" vão recrutar para as suas acções. E bastava só um pouco do nosso desperdício para cortar essa ligação e dar um mínimo a essas famílias. Pelo artigo, algo está a melhorar. Tem que melhorar lá porque se aqui deixarmos de comprar os seus produtos, vai ser pior para as crianças.

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  2. Quais marcas utilizam desse trabalho escravo??? precisamos saber para nunca mais consumir essas marcas!

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  3. Veja os documentários do netflix sobre o assunto. Normalmente são lojas fast fashion: zara, h&m etc. Também quero a mesma listagem. Isso me incomoda muito. Temos a mesma visão. Luz para nós!

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  4. Noi ci facciamo belli, con la vita di questi fanciulli, noi li stiamo uccidendo

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  5. Informações como estas necessitam serem exaustivamente compartilhadas, repassadas, com nome de marcas que utilizam trabalho infantil, trabalho escravo. Muita gente vai deixar de comprar. Precisamos é informar a todos.

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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  7. É triste mas a opção que eles tem é o mercado de trabalho e ao meu ver é muito melhor que morrer de fome , eventualmente com o tempo se o trabalho lá for barato e o governo deixar com que exista um livre mercado em pouco tempo as pessoas teriam mais condições e receberiam mais , não acho que deixar de consumir seja a melhor opção, q outra opção eles teriam se não trabalhassem ? Alguém daria algo para eles ? Fica aí meu questionamento para quem sabe só criticar e não propõe soluções viáveis

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  8. Claro que tem que ser boicotada as empresas que utilizam trabalho escravo infantil.Eu nunca estaria bem com um objeto aue me aauece feita com trabalgo escravo ainda mais infantil.Nao colaboro com isto.

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